Ao longo da conversa, Marivalda apresentou como uma das
principais marcas de sua atuação a defesa da participação popular. Segundo ela,
a política precisa incorporar a voz das comunidades e, especialmente, da
população periférica, na definição das ações públicas. “A voz da periferia, a
voz da população, ela precisa estar presente em todas suas ações”, afirmou.
Da periferia de Candeias ao movimento sindical
Nascida em Candeias, Marivalda contou que sua trajetória foi
marcada desde cedo pelo contato com as dificuldades enfrentadas pela população
de menor poder aquisitivo, especialmente nas áreas de habitação, saúde e
educação.
Ainda no ensino médio, quando estudou em Salvador,
participou do movimento estudantil e passou a se envolver em mobilizações por
melhorias na educação. Posteriormente, ingressou no movimento sindical e
participou da organização dos trabalhadores terceirizados ligados ao setor
industrial de Candeias.
Ela destacou também a atuação na defesa das condições de
trabalho e da ampliação da participação feminina no setor industrial. Segundo
seu relato, uma das iniciativas foi a criação da função de observadora de
segurança, que abriu espaço para que mulheres passassem posteriormente a buscar
qualificação em áreas como caldeiraria, elétrica e soldagem.
Marivalda afirmou ter permanecido por aproximadamente 25
anos no movimento sindical e disse que sua formação política ocorreu
principalmente nos movimentos sociais.
A chegada à Câmara de Candeias
Durante a entrevista, a candidata relembrou sua entrada na
disputa eleitoral em 2008. Segundo ela, sua candidatura a vereadora não fazia
parte de um projeto pessoal inicialmente, mas surgiu a partir de uma
articulação política do grupo do qual fazia parte.
Marivalda afirmou que recebeu 2.416 votos e que a soma dos
votos da coligação chegou a aproximadamente 3.100, resultado que garantiu sua
eleição para a Câmara Municipal de Candeias.
Na avaliação da candidata, a experiência parlamentar foi
importante também por coincidir com sua formação em Direito. Ela destacou
projetos e pautas relacionadas aos servidores municipais, aos vigilantes, aos
agentes de endemias e, principalmente, ao transporte para estudantes.
Transporte universitário e técnico
Um dos momentos de maior destaque da entrevista foi a
explicação de Marivalda sobre sua atuação em relação ao transporte estudantil.
Ela afirmou que, durante seu período como vereadora,
apresentou uma emenda para incluir os estudantes de cursos técnicos no sistema
de transporte que já contemplava universitários.
Segundo Marivalda, a alteração buscou garantir que o
benefício não dependesse exclusivamente da vontade de cada gestor municipal.
“Quem acrescentou o técnico fui eu”, declarou, ao explicar a autoria da emenda.
A candidata também citou como parte de sua atuação a defesa
de uma política de reajuste para servidores municipais, além da luta por
vale-alimentação para vigilantes e pautas relacionadas aos agentes de endemias.
Mulheres na política
Outro eixo importante da entrevista foi a participação
feminina na política.
Marivalda afirmou que o ambiente político continua sendo
marcado pelo machismo e relatou ter enfrentado preconceito, assédio e
resistência ao longo de sua trajetória. Para ela, mulheres precisam ocupar
espaços de decisão sem a necessidade de se colocarem acima ou abaixo dos
homens.
“O que a gente precisa é de oportunidade. A gente não quer
estar nem acima de homem, nem abaixo dele. A gente quer estar ao lado dos
homens”, afirmou.
Ela também relacionou sua experiência pessoal à defesa de
políticas públicas para a juventude. Segundo Marivalda, sua geração enfrentou
dificuldades que contribuíram para a conquista de políticas públicas
posteriormente disponibilizadas aos jovens. Ela defendeu a necessidade de
inovação sem que as conquistas sociais anteriores sejam perdidas.
Críticas à atual situação de Candeias
Na entrevista, Marivalda fez duras críticas à situação atual
de Candeias, especialmente nas áreas de saúde, emprego e gestão dos recursos
públicos.
Ao falar sobre o município, afirmou que Candeias possui
forte vocação industrial, mas não teria conseguido transformar esse potencial
em geração suficiente de empregos. Ela citou a presença do Porto de Aratu,
polos de transporte, fertilizantes e indústrias químicas como exemplos do
potencial econômico da região.
“Candeias é uma cidade industrial, porque como, cadê, cadê o
emprego? Não existe”, declarou.
A candidata também criticou problemas relacionados à saúde
municipal e citou o período de intervenção no hospital, além do fechamento da
UPA e do posto médico. As afirmações foram apresentadas por ela como parte de
sua avaliação sobre a situação da saúde no município.
Em outro momento, Marivalda questionou a aplicação de
recursos destinados à saúde e afirmou que, em sua avaliação, falta
acompanhamento suficiente sobre a utilização do dinheiro público. Ao abordar
especificamente recursos destinados ao município, fez críticas à administração
local e defendeu maior fiscalização.
Emprego e desenvolvimento econômico
Para Marivalda, a principal mudança que Candeias precisa
enfrentar passa pela capacidade de transformar sua estrutura econômica em
oportunidades permanentes para a população.
Durante a entrevista, ela contou que sua experiência
profissional na Codeba ampliou sua percepção sobre as possibilidades econômicas
da região. Segundo seu relato, participou de tratativas que contribuíram para
que cargas de soja produzidas no oeste da Bahia passassem a utilizar o Porto de
Aratu.
Ela destacou que Candeias possui diferentes modais de
transporte e afirmou que o município tem condições de ampliar sua importância
logística e econômica.
Na avaliação da candidata, um eventual mandato estadual
deverá atuar na atração de investimentos e na geração de empregos. “A nossa
diferença. Primeiro é brigar por investimentos, por empregabilidade”, afirmou.
Marivalda também defendeu a ideia de criar condições para
que a população tenha autonomia econômica, resumindo sua visão com a expressão
de que é necessário “dar a vara de pescar e não peixe”.
Relação com a eleição de 2024
A entrevista também revisitou a eleição municipal de 2024,
quando Marivalda disputou a Prefeitura de Candeias em uma composição política
com Antônia Magalhães.
A candidata afirmou que considera aquele processo importante
por ter demonstrado, em sua avaliação, a possibilidade de união de forças
políticas que historicamente estiveram em campos diferentes.
Marivalda reconheceu a importância do movimento feito por
Antônia Magalhães naquele período e afirmou que a união representou uma
tentativa de construir um projeto político diferente para Candeias.
Apesar da derrota eleitoral, Marivalda disse considerar o
resultado politicamente significativo e afirmou que a candidatura mostrou que
existia espaço para uma alternativa política no município.
Críticas e diferenças em relação a Pitágoras
Questionada sobre sua relação política com o ex-prefeito e
atual candidato a deputado estadual Pitágoras, Marivalda explicou que a
aproximação ocorrida em determinado momento foi resultado de uma articulação
política mais ampla.
Segundo ela, naquele período diferentes forças políticas se
uniram para enfrentar o grupo carlista. Marivalda afirmou que chegou a retirar
sua candidatura majoritária para participar da composição que posteriormente
venceu a eleição de 2016.
Ao analisar o cenário atual, porém, a candidata fez críticas
ao antigo aliado e classificou seu posicionamento político como ligado à
direita, ao bolsonarismo e ao carlismo.
Marivalda também afirmou que não pretende basear sua
candidatura exclusivamente no apoio de lideranças políticas. Segundo ela, sua
estratégia é buscar diretamente o eleitor, especialmente aquele que
tradicionalmente não é procurado por candidatos.
“Quero ser uma deputada perto do povo”
Ao falar sobre seu projeto para a Assembleia Legislativa da
Bahia, Marivalda afirmou que pretende manter a mesma relação de proximidade
que, segundo ela, marcou sua atuação como vereadora.
“Eu quero ser a deputada diferenciada da Bahia, porque eu
quero estar perto do povo”, declarou.
A candidata afirmou ainda que pretende atuar em favor de
Candeias mesmo que a administração municipal não esteja politicamente alinhada
ao seu grupo. Para ela, eventual mandato deve ter como prioridade a população,
e não o prefeito de plantão.
Marivalda também afirmou que pretende ampliar sua atuação
para outros municípios baianos, ressaltando que uma candidatura estadual
precisa compreender as diferentes realidades das 417 cidades do estado.
Educação, juventude e combate à vulnerabilidade
Na parte final da entrevista, Marivalda relacionou políticas
sociais, educação e prevenção à violência.
Ela defendeu a permanência das crianças e adolescentes na
escola e destacou programas de transferência de renda e incentivos vinculados à
educação como instrumentos para enfrentar a vulnerabilidade social e evitar que
jovens sejam atraídos pelo crime organizado.
Segundo a candidata, investir na permanência dos jovens na
escola é uma forma de prevenção que pode evitar custos sociais ainda maiores no
futuro.
Alinhamento com Lula, Jerônimo e o PT
Marivalda reafirmou durante a entrevista seu alinhamento
político com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o governador Jerônimo
Rodrigues e com o PT.
Ela afirmou que pretende atuar na Assembleia em defesa da
Região Metropolitana, do Recôncavo e de Candeias, mantendo a articulação com os
governos estadual e federal.
Na avaliação da candidata, o alinhamento político pode ser
utilizado para ampliar investimentos e transformar potencial econômico em
resultados concretos para a população.
Ao encerrar a entrevista, Marivalda reafirmou que pretende
fazer uma campanha baseada no contato direto com o eleitor e disse estar
disposta a participar de debates com outros candidatos.
“Eu quero participar desse debate e me proponho a estar em
qualquer debate e com qualquer uma pessoa”, afirmou.
A candidata encerrou destacando sua intenção de levar para o
Legislativo estadual a experiência acumulada em Candeias, nos movimentos
sociais, no sindicalismo, na advocacia, na administração pública e no mandato
parlamentar.
